
Texto: Gisele Pungan. Fotos: Leonardo Mascaro
“Tudo começou com o Big Bang. Depois vieram os dinossauros e a internet. É isso.”
Antes mesmo da repórter sacar o gravador, Filipe Giraknob, responsável pelas distorções lisérgicas de guitarra de “A Mágica Deriva dos Elefantes”, terceiro disco do Supercordas, já tinha resumido tudo. Ou quase tudo.
A conversa segue: “Big Bang, dinossauros, e internet? Não teve nada entre isso?”, questiona Pedro Bonifrate, a voz da banda. “Teve, a agricultura”, completa Diogo Valentino, que toca baixo. “Mas e o rock n’ roll?”, pergunta Sandro Rodrigues, batera. “Ah, o rock n’ roll entra na agricultura, claro”.
A afirmação não soa tão estranha assim quando se trata de uma banda que foi declarada a precussora e epítome de um estilo: o rock rural. Bonifrate confessa que tem até saudades da época que eles tinham um estilo único. Agora é diferente: “tô cansado de dizer e de ouvir que o que estamos fazendo é psicodélico, e tô começando a pensar no que essa palavra realmente significa. O termo está sendo tão usado que daqui a pouco começa a não significar porra nenhuma.”
O problema, elucida Sandro, é quando a crítica e/ou público estão preocupados demais em classificar a música do Supercordas: “eu acho muito mais legal quando as pessoas olham para o nosso trabalho sem tentar reduzir. Infelizmente, muitas vezes as pessoas só dizem: isso significa tal coisa, ou isso é tal estilo.”

Tatá Aeroplano no palco com Pedro Bonifrate
Psicodélico ou não, o rock que o quinteto apresentou no último sábado no Sesc Belenzinho foi trilha para uma viagem sensorial embalada por guitarras distorcidas, gaita, teclado, baixo e bateria, além de uma projeção de imagens fluidas e coloridas, assinada por Wilson Jr., autor também do belo encarte de “A Mágica Deriva” e todo o material gráfico da banda desde sempre.
No show, a viagem começa em Mumbai, pega “Um Grande Trem Positivista” e vai para Belo Horizonte, embalada na desconstruída bateria de Sandro e no violão de Bonifrate. A música vai se envenenando até desaguar em “Mágica”, que conta a história de um “igarapé da galáxia” e do São Chico, “que secou num incêndio”.
Depois, vem “Declínio e Queda do Império Magnético”, em que o violão soa como viola e ajuda entender de onde vem a história do rock rural. Em “À Minha Estrela Bailarina”, Tatá Aeroplano aterriza no palco e assume o vocal, e “Índico de Estrelas” marca o ápise onírico da apresentação, quando todos já estão envoltos no universo das letras de Bonifrate com mares de lantejoulas, índias navegantes e sorrisos tão grandes quanto um Taj Mahal.
Tão breve quanto um sonho, a viagem vai terminando com a envolvente “Asclépius”, em que a voz confessa: “eu voltei dessas andanças ligeiramente diferente”. Há o bis, as luzes se acendem, é hora de acordar. É, Bonifrate, acho que nós também.









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"Sá, Rodrix & Guarabyra foi um trio musical, formado por Luíz Carlos Sá, Zé Rodrix e Guttemberg Guarabyra. Surgido no início da década de 1970, no Brasil, o grupo se notabilizou pela criação do chamado rock rural, em que se mesclavam diversas influências musicais, do rock à música sertaneja (ou caipira)."
Da Wikipedia.