DJ Marky e Bid recriam clássicos da música eletrônica com instrumentos reais no projeto Technostalgia

Publicado em 9 de agosto de 2012

O projeto Red Bull Technostalgia acontece no próximo dia 10 de agosto (sexta), no Cine Joia, com uma proposta inusitada: transpor clássicos da música eletrônica para serem tocados por duas bandas no palco, enquanto são “regidas” pelo DJ Marky, em uma espécie de “mixagem analógica”.

“Eu não queria ser DJ. Meu sonho era ser baterista”, conta Marky, lá pelo meio da entrevista sobre o projeto. Curiosamente, o maior DJ brasileiro revela que sua incursão pelo mundo eletrônico foi quase acidental. De certa forma, esse projeto representa um reencontro com o universo dos instrumentos, depois de anos dedicados a uma bem-sucedida carreira na música eletrônica. “Eu sempre digo ao Bid (parceiro do DJ no projeto) que quero fazer um disco meu. E quando eu fizer, eu quero tentar chegar em uma sonoridade menos digital”.

Eduardo Bidlovski, o Bid, foi produtor do clássico “Afrociberdelia”, de Chico Science & Nação Zumbi, e foi um dos fundadores e integrante da banda Funk Como Le Gusta. Pesquisador e experimentador inquieto, Bid é responsável pela preparação das bandas, transpondo as músicas para o formato banda, além de “treinar” cada uma para obedecer os comandos de Marky durante a apresentação. “Ele vai funcionar como uma espécie de maestro, regendo cada uma das bandas, fazendo as fusões e conduzindo o show”. Bid vai operar também um conjunto de equipamentos para processar o som das bandas, buscando a sonoridade específica de algumas músicas, já que os instrumentos não conseguiriam reproduzir sons criados eletronicamente.

“Vamos mudar o mínimo possível das músicas, a ideia é tentar ser o mais próximo possível do original”, diz Bid. No repertório, New Order, Inner City, Roni Size, Daft Punk e a dupla russa Tatu, entre outros. O drum & bass, gênero que consagrou Marky, aparece só no final: “É como se fosse uma linha do tempo do final dos anos 80 até os anos 2000, começando com um estilo mais funk, meio downtempo, passando pelo house, techno e chegando até o drum & bass.”, explica. “São músicas que já toquei, e toquei muito, antes mesmo de surgir a cultura do Hardcore Breakbeat na Inglaterra. Conheço cada pedaço, cada movimento de cada uma, o que vai facilitar a condução”.

O show terá também a participação nos vocais da cantora Leilah Moreno e do MC norte-americano Stamina. As bandas terão 7 integrantes cada.

Além das duas bandas e da regência de Marky, o show utiliza os recursos de video-mapping do Cine Joia para envolver o público, mas com um detalhe curioso: um retro-projetor (quem lembra?) será utilizado também nas projeções, com uma pessoa desenhando e interagindo ao vivo com as projeções digitais. Também no aspecto visual, a tecnologia dialoga com o analógico.

O formato do projeto é inédito, e por isso mesmo muita coisa ainda é dúvida para a dupla: “Não sabemos como tudo vai funcionar, muita coisa vai ser definida na hora. Mas essa é a graça”, completa Bid.

No video da entrevista, Marky e Bid explicam o projeto e Marky fala um pouco de sua paixão pelos instrumentos. Dá o play:

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