Mostra Sesc encerra este fim de semana com psyco-rock cambojano

Publicado em 27 de julho de 2012

A história da banda poderia ser o enredo de um conto-de-fadas musical: dois caras americanos que viajam ao Camboja e ficam maravilhados pela musicalidade do país. Devolta à Califórnia, eles procuram por uma voz que cante em Khmer, a língua cambojana, e, pasmem: encontram.

A princesa da história é Chhom Nimol, ex-cantora de karaokês no Camboja, imigrada aos Estados Unidos com a intenção de juntar algum dinheiro e enviar à sua família na Ásia. Foi encontrada, como não poderia deixar de ser, numa boate em Little Phnom Penh, o bairro Cambojano em Long Beach. Daí pra frente já são cinco álbuns gravados (os dois primeiros primeiros cantados exclusivamente em Khmer) de um rock retrô muito grooveado com um delicioso tempero asiático. Se liga:

O Dengue Fever começou fazendo covers de canções cambojanas dos anos 60 e 70 e passou a compor suas próprias canções depois de fazer uma turnê pelo país em 2005. As canções originais são fruto da chegada da cultura anglo-saxônica àquela parte Ásia, durante a guerra do Vietnã. The Doors, Beatles, Stones foram deglutidos pelos músicos locais, gerando, como é típico das miscigenações, novos e belíssimos paradigmas estéticos.

Com o fim da guerra, no entanto, o Khmer Vermelho assumiu o Camboja e foi responsável por acabar com a cena cultural do país, dizimando 1/5 da população, incluindo aí os principais compositores do novo rock local. O som daquela época ficou encapsulado no tempo, até ser resgatado pelos irmãos Ethan e Zac Holtzman nos anos 2000. Partindo dos covers, depois de 11 anos de estrada, o Dengue Fever evoluiu muito, incorporando outras influências étnicas, como o jazz da Etiópia de Mulatu Astatke.

O último álbum, Cannibal Courtship, produzido em 2011 pela própria banda tem arranjos mais sofisticados e ganha peso também com canções cantadas em inglês, onde enfim, os ouvintes ocidentais têm a chance de entender as letras com fino humor de caráter crítico, como em “Family Business”: Heat seeking missile from heir to air / It’s just a family business.

A banda toca amanhã e domingo no Sesc Bom Retiro, encerrando a mostra Sesc de Artes 2012.

Serviço:
Dengue Fever
Dia(s) 28/07, Sábado, às 19h e Domingo, 29/07, às 18h.
no SESC Bom Retiro
Alameda Nothmann, 185.
São Paulo

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