NOFX para acalmar o espírito

Publicado em 10 de julho de 2012

Por Marco de Castro

Eu andava meio estressado e sem paciência nos últimos dias. Uma pilha de nervos. E, quando tô assim, já sei. Nada melhor do que um show de punk, com bastante roda de pogo, para aliviar a tensão. Por isso não hesitei em garantir meu ingresso quando soube que o NOFX ia tocar em São Paulo no último sábado.

Escutei muito essa banda entre os 16 e 20 anos (de 1994 a 1998), época em que eu e minha turma pirávamos em hardcore melódico e até formávamos nossas bandinhas nesse estilo. NOFX, Bad Religion, Pennywise e Rancid, entre outros, eram então os nossos sons de cabeceira. Depois, dei uma enjoada. Desde então, tenho escutado muito pouco.
Mas, enfim, bateu uma nostalgia, e lá fui eu com um camarada das antigas pra ver o NOFX tocar no A Seringueira. O pico, uma casa frequentada por pagodeiros, na avenida Francisco Matarazzo, em frente ao parque da Água Branca, estava completamente lotado. Tinha muita molecada — como é de se esperar em um show de hc melódico —, mas também muito tiozinho (como eu). Vários deles eram meus conhecidos dos shows da década de 90.

A banda começou a tocar por volta das 22h. O lugar tava apertado pra cacete, não dava nem pra se mexer. Mas, como eu previa, bastou os caras soltarem os primeiros acordes pro pogo comer solto. Rodas se abriram, e a pancadaria geral empurrou a galera que não agita pra fora e pras laterais da pista, deixando mais espaço pra quem não se importa de encarar os empurrões, socos e cotoveladas.

A banda fez um apanhado geral da carreira, tocando 26 músicas. As mais recentes confesso que não conhecia, mas o público cantou todas em coro, sempre pogando muito. Não dava pra ficar parado. Também rolaram muitos sons clássicos, o suficiente para me deixar meio rouco. Entre eles, “Dinossaurs Will Die”, “Murder the Government”, “Live it Alone” e “Linoleum”. O grupo também tocou reggaes e skas que fizeram a alegria do povo maconheiro. Achei muito foda uma versão reggae que eles fizeram de “Radio”, do Rancid.

No palco, a banda manteve sua postura bem-humorada, fazendo piadinhas o tempo todo. Fat Mike, o vocal, chegou a mandar o povo que estava nos camarotes se foder, dizendo “vocês são ricos, não gosto de vocês”. Também ficou bravo quando um idiota cuspiu nele. Até tentou dar uns croques no cara. Depois, ficou dizendo “agora tá tentando se esconder, né?” ou algo assim. Pra finalizar, ele pediu pra galera que tava em volta bater no imbecil. Da onde eu tava, não vi se o mano apanhou, mas o público todo gritava “filha da puta”, em coro, incentivando o espancamento do bobão.

Foi um show empolgante e cheio de energia, melhor do que eu esperava. Acabou com uma sequência matadora: “Don’t Call Me White”, “Moron Brothers” e “The Brews”. “Nós somos velhos. É muito bom vocês ainda virem ver a gente”, agradeceu Mike, no final. Saímos todos suados e com alguns hematomas. E eu, que não escutava NOFX direito havia quase 15 anos, agora tô escutando de novo. E tô bem mais calmo do que na semana passada.

Observação: o show foi ótimo, mas esse A Seringueira é um lixo. Totalmente despreparado para receber uma banda como o NOFX. Quando a gente entrava, davam um cartãozinho “para consumação”. Devia haver umas 5 mil pessoas no lugar. Mas só umas cinco ou seis para servir cerveja no balcão do bar principal. Por isso, havia muito empurra empurra. E, quando conseguimos ser atendidos, os caras do balcão disseram que tínhamos que pôr crédito no cartão. Fui então até o caixa para fazer isso e, quando consegui ser atendido de novo no bar, a balconista disse que não havia crédito nenhum no cartão. Voltei ao caixa para reclamar, e a mina de lá me levou até um pico longe da porra, onde uma outra mina checou o cartão e falou que eu tinha crédito, sim. Voltei ao balcão e, após uma nova longa espera, fui atendido. E disseram novamente que não havia créditos na bosta do cartão. Fiquei realmente puto e voltei a reclamar. Aí a funcionária do pico foi até o bar e pegou uma cerveja pra mim, dizendo que os balconistas que haviam me atendido deviam não saber como manusear aquela comanda do inferno. Demorei mais de uma hora para tomar minha primeira cerveja. Depois levei mais uma hora para torrar o resto dos meus créditos em uma vodca pura, com gelo, porque as brejas tavam quentes.

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