Mauricio Fleury, integrante do Bixiga 70 e membro do coletivo Veneno, que promove algumas das melhores festas de São Paulo ao som exclusivo de vinis bacanas topou participar da sessão In the Crowd aqui do Lineup mas já chegou dizendo: “tava jantando com meu enteado agora e não fui capaz de dizer pra ele nem meu prato favorito, que dirá um show”.
Depois de citar o Sonic Youth e Terence Blanchard no Free Jazz em São Paulo em 2000, Seun Kuti e Egypt 80 na Virada Cultural desse ano e até um show do Planet Hemp pelo qual ele ‘fugiu de casa’ na adolescência porque a mãe o proibiu de sair depois de um ano de muitas confusões, ele decide:
‘Eu posso retirar tudo o que eu falei até agora e falar de um show que foi realmente absurdo. Eu nunca me emocionei tanto como no show do Jards Macalé tocando o primeiro disco dele inteiro na Virada Cultural de 2007. Eu escutava esse disco quando morava longe do centro, e vivia de walkman andando duas, quatro horas de busão por dia. Namorava uma menina do outro lado da cidade, e ficava escutando esse disco, que eu tinha gravado em fita e foi um dos primeiros vinis que eu roubei do meu pai. Aos 16, 17 anos eu achava que era um retrato total meu, e nunca imaginei que ia chegar no ponto de ver esse show acontecer. O show era no Teatro Municipal, a fila pra pegar o ingresso estava dando a volta no quarteirão, eu cheguei em cima da hora porque estava cuidando da minha namorada que tinha sofrido um acidente. Por um milagre encontrei um amigo que conseguiu me fazer entrar e sentei na primeira fila pra assistir o show. Ali eu chorei copiosamente, do começo ao fim, igual uma criança.’
Para Mauricio, o disco de Macalé tem músicas definitivas, sobre a conduta em relação ao amor, à vida. Ele completa: “os grandes compositores tem a capacidade de te colocar dentro da história deles e fazer ela ser a sua”. ‘Mal secreto’, que narra a história do rapaz que chega na cidade sem nenhum amigo, era o epítome completo daquele Mauricio que andava de walkman pela cidade de São Paulo: “Na época em que eu escutava esse disco eu ainda tava longe de me encontrar como músico, tinha uma emoção que ainda não estava canalizada, e que então você acaba despejando muito da sua emoção na mitologia da música”.
Pra saber qual a música que balança o coração do Mauricio assim tão forte, assista aqui:








