Sónar SP: um roteiro mais ou menos indie-rock

Publicado em 10 de maio de 2012

Por Zé Roberto Pereira

Deixando um pouco de lado as atrações mais experimentais na seara eletrônica, o Lineup Brasil preparou um roteiro para os dois dias do Sónar SP, focado em bandas e artistas que ainda flertam mais intensamente com o rock. É claro que pela característica do festival, todos eles experimentam sonoridades muito além das guitarras e instrumentos analógicos – e alguns deles sequer podem ser considerados bandas de rock. Mas essa diversidade é que dá a graça ao festival, e pode render surpresas incríveis.

Sexta: renda-se aos robôs

Os tiozinhos robóticos do Kraftwerk.

A grande atração de sexta não tem um instrumento sequer no palco: o Kraftwerk traz ao Brasil um espetáculo com projeções 3D, criado especialmente para uma retrospectiva do grupo no MOMA em Nova York este ano. E a primeira vez que eles apresentam esse show depois da retrospectiva, por isso a expectativa é imensa. É verdade que se você é um amante das guitarras e baterias barulhentas, pode se entediar com as figuras estáticas dos quatro alemães no palco – mas vale a pena. Eles tocam às 23hs, no palco principal, o Sónar Club.

Antes da “experiência Kraftwerk”, vale chegar cedo e conferir no Sónar Village (uma estrutura semicoberta com gramado artificial) o eletrônico com pegada oitentista do James Pants, às 21:30. O som do cara tem referências disco e soul, e nas melhores faixas lembra trilhas de filmes brasileiros e pornôs dos anos 80, com aquela atmosfera sexy-swingada. Bacana.

Depois do Kraftwerk, a pedida são os suecos do Little Dragon, no Sónar Hall, um auditório com capacidade pra 3 mil pessoas. As atmosferas viajantes criadas pela banda são embaladas pela voz macia da vocalista Yukimi Nagano. Climão, à 01:00. Se você quiser ficar nesse clima mais suave, emende com os canadenses do Austra, às 02:30 ali mesmo no Sónar Hall, que tem uma linha mais épica, com influências pós-punk, às vezes lembrando Zola Jesus.

Agora se você quer mesmo é cair na balada, a hora certa é 02:00, quando o Chromeo entra no palco principal. Desnecessário apresentar o eletrofunk dos canadenses, que desde 2004 são presença certa nas pistas, e devem provocar uma catarse para fechar com chave de ouro o primeiro dia de festival.

Sábado: Mogwai até sangrar os ouvidos, James Blake até sangrar o coração

James Blake.

Pode ser que muita gente vá ao festival no sábado pra ver o Cee-lo Green, que sobe no palco Sónar Club às 22hs. O pop-soul do cara não é de todo mal e até vale uma passada se você estiver disposto, mas o grande começo do sábado é sem dúvida o Mogwai, que entra às 22:30 no auditório Sónar Hall. Donos de uma sonoridade inquietante, os escoceses fazem um som instrumental de guitarras distorcidas e barulhentas, mas com uma pegada viajante, em longas faixas que te carregam sem pressa. Falando assim pode parecer chato, mas o show deve ser bem bom.

Na sequência as opções são contrastantes: no palco principal o Justice vem, à 00:00, com seu eletro-rock pesado e dançante, enquanto no auditório o James Blake traz suas baladas tristes e cheias de harmonias quebradas e estranhas, mas belíssimas, à 00:30.

Daí pra frente o festival se joga de vez na eletrônica, e talvez minha única recomendação seja dar uma passada no Modeselektor, um dos preferidos do Thom Yorke, às 02:10 no palco principal.

Confere aqui a tabela geral de horários e em negrito nossos shows recomendados:

Sexta, 11 de maio:

Sábado, 12 de maio:

Dá uma olhada também no mapa do evento e nas fotos dos palcos:

Palco Sónar Club (principal):

Palco Sónar Village:

Auditório Sónar Hall:

Comments

  1. Posted by Carol Medeiros on 12 de maio de 2012, 3:14 pm [Reply]

    GENTE! tem totally enormous extinct dinosaur!!!!!!! fechando com chave de ouro!

Reply

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