God Save the Queen: 35 anos do lendário show dos Sex Pistols no Tâmisa

Publicado em 7 de maio de 2012


A imagem acima você certamente conhece. Mas o show que está por trás dessa idéia, você sabe como foi?

Há 35 anos o Sex Pistols ‘homenageva’ o 25o. aniversário da ascenssão ao trono da Rainha Elizabeth II com um show sobre as águas do Rio Tâmisa. A idéia, fruto da mente de Malcolm McLaren, o manager da banda, ornava perfeitamente com a recém-composta ‘God Save the Queen’, canção que viria ser o hino do movimento punk, que dava seus primeiros passos naqueles idos de 1977.

Faz parte da cultura inglesa comemorar os chamados ‘Jubileus da Rainha’, e uma das tradições é o desfile da monarca em um barco pelo Tâmisa. Mais do que espertamente, Malcolm, em parceria com a gravadora Virgin, alugaram um barco para um show do Sex Pistols dois dias antes do desfile da Rainha. Numa mistura de jogada de marketing e protesto (combinação que produz os melhores efeitos quando se quer fazer barulho), criaram um momento único na história do punk, com direito a ‘Anarchy in the UK’ sendo tocada em frente ao Parlamento Britânico.

Este ano comemora-se o ‘Jubileu de Diamante’ da Rainha (60 anos no trono do Reino Unido), e por ocasião da data o Guardian fez essa ótima matéria relembrando o Jubileu de Prata, quando os Pistols fizeram o famigerado show, que acabou com a prisão de Malcolm McLaren assim que o barco alcançou a terra firme. O filé são os depoimentos de quem estava lá:

Jon Savage, compositor, na época escrevia na revista Sounds: “Eu ouvi dizer que os Sex Pistols iam fazer esse evento promocional. Liguei para Al Clark, o assessor de imprensa da Virgin, e disse: ‘Se você não me convidar eu vou contar para todo mundo na redação.’ Eu sabia que era uma grande matéria. Era difícil ver o Sex Pistols naquela época; eles tocaram apenas duas vezes em 1977, então eles eram uns animais bem exóticos. A atmosfera no barco era paranóica e claustrofóbica, mas também muito excitante. Eles estavam certamente no auge aquele dia. É impossível bater o Sex Pistols, feriado de Jubileu e ‘Anarchy in the UK’ em frente ao Parlamento.

Allan Jones, editor da Uncut, na época escrevia na Melody Maker: Um pouco antes dos Pistols tocarem, barcos da polícia começaram a nos cercar quando nós chegávamos ao Parlamento. Eu não queria estar em outro lugar nesse momento. A banda começou com ‘Anarchy in UK’, seguida de ‘God Save the Queen’, ‘No Feelings’, ‘Pretty Vacant’, e então a energia foi cortada quando Rotten estava gritando ‘No Fun’.

Tony Parsons, jornalista (na época na NME, único lugar onde o disco dos Pistols era listado no topo das paradas inglesas): “Sid (Vicious, o baixista da banda) estava fantástico ali. Eu me lembro de oferecer uma linha pra ele, mas ele não queria nada, coisa irônica considerando o que viria a acontecer com ele. De qualquer forma, ele era muito educado: “Obrigado pela oferta”, como se eu tivesse oferecido uma xícara de Eral Grey a ele. Já John Lydon (Jhonny Rotten), nasceu para aquele momento.

Malcolm via a coisa toda como uma performance de arte, um evento. Ele e Vivienne (Westwood, esposa de Malcolm) achavam um pouco patético que nós amavamos nossos discos do Clash, porque para eles não se tratava disso. Era sobre atormentar o establishment até que ele gritasse. Haviam vários hippies no barco, todos eles pessoas doces da Virgin. Mas não havia um grande divisão entre hippies e punks naquela época como nós achamos que havia. Nós compartilhávamos tanto que você só nos distinguiria olhando em retrospecto. Ambos grupos estavam determinados a mudar a maneira que a sociedade se organizava, mas ambos queriam fazê-lo enquanto estavam absolutamente chapados.

Rotten e eu rachamos uma grama de anfetamina. Eu acho que nunca me senti melhor. Você fica com uma beleza vampiresca quando toma tanto speed, um glamour misterioso. A parte ruim é que depois você fica sem dormir por 72 horas. Ele era um glutão dos químicos. Eu não posso dizer que o conhecia bem, mas naquela noite nós tivemos nossa primeira grande conversa; o fato de que eu tinha um sacão de pó branco é mera coincidência. Nós o consumimos juntos e depois ele caiu fora. Ele consegue ser um cuzão com honestidade. Ele era mais uma diva que Mick Jagger ou Keith Richards. Ele era como o maldito Judy Garland, fazendo birra quando algum pobre fotógrafo parisiense chegava muito perto.

Completando as comemorações, os ingleses comemoram o o Jubileu deste ano com um festival que relembra o episódio dos Pistols. No Lineup estão, entre outras, The Danmed, Buzzcocks e Vibrators. Que tal?

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