Paul McCartney termina turnê brasileira com show de 3 horas em Floripa

Publicado em 27 de abril de 2012


Por Guilherme Simões. Fotos: Marcos Hermes

Dificil acreditar que Paul Mccartney poderia passar com sua turnê “Band on the Run” pela cidade de Florianópolis. Para os leitores que não entenderam o porque dessa afirmação explico: Florianópolis é uma cidade que notadamente é “pulada” quando se trata de grandes shows (alguns até não tão grandes assim) por vários motivos. Temos sérios problemas com infra-estrutura de trânsito, locais para espetáculos e hospedagem.

Tirando o ceticismo de lado, Paul realmente veio pra a “ilha da magia” para o último dos 3 shows realizados no Brasil. A comoção local foi enorme, e todo esse burburinho só serviu para aumentar ainda mais o fator “lenda” do Sir Paul no imaginário coletivo dos moradores da cidade e do estado.

Minha história com os Beatles particularmente começou desde muito cedo. Tenho um pai que, por sorte minha, sempre gostou do quarteto de Liverpool. Não apenas um fã de suas músicas, mas também da história da banda e particularmente de seus integrantes (especialmente John Lennon). Entre outras pérolas musicais como Supertramp e Pinkfloyd, passei boa parte da minha infância ouvindo vinis dos clássicos e mixtapes que meu pai colocava no carro em nossas viagens. Várias das canções escritas por Paul soam na minha cabeça como uma pequena parte da minha infância.

O show de Paul Mccartney foi realizado no estádio do time do Avaí (para quem não entende muito de futebol, um dos 2 maiores times da ilha), a “Ressacada”. Foi montada uma estrutura grandiosa, levantada por um staff de mais de 300 pessoas, que ergueram o maior palco já montado em Santa Catarina (da altura de um prédio de 8 andares). A estrutura de som (130 caixas), assim como os grandes telões nas laterais e atrás do palco garantiram que o músico fosse visto e ouvido por todos no estádio (e pelos vizinhos também!). Paul McCartney tem um magnetismo difícil de explicar. Talvez seja sua vitalidade no palco, talvez seja o fato de ser uma lenda viva da música mundial, talvez por ter feito parte da banda mais memorável e amada de todos os tempos, ou simplesmente pela paixão com que toca, compõe e vive a música mesmo após tantos anos na estrada.

Paul abriu o show com “Magical Mystery Tour” ao som de trinta mil vozes gritando seu nome. Daí pra frente o show foi uma sequência de clássicos dos Beatles com algumas músicas de sua carreira solo e ao lado dos Wings (banda que durou de 1971 até 1981). O show foi todo acompanhado com projeções nos telões que ambientavam cada canção. Na música “My Valentine” (composta por Paul em homenagem a sua atual esposa Nancy Shevell) o público assistiu o clipe estrelado por Natalie Portman e Johnny Depp. Para mim, infelizmente, tom romântico das canções não foi devidamente aproveitado, já que minha namorada não pode me acompanhar no show. O ponto alto foi em “Live or Let Die”, quando a performance foi acompanhada de um espetáculo de fogos e explosões que, junto com projeções no mais puro estilo James Bond, deixaram o repórter que vos fala totalmente extasiado.

O cantor homenageou também sua falecida esposa Linda McCartney com a música “Maybe I’m Amazed”, seu irmão (como ele chama John Lennon) com “Here Today”, George Harrison com “Something” e Ringo Star, com um pequeno trecho de “Yellow Submarine”.

O show foi o mais longo da turnê pela América do Sul, e pra mim fica difícil listar músicas favoritas. Vale dizer que a distribuição entre homenagens, canções clássicas, novas e a maneira como elas foram escolhidas para gerar o “mood” da apresentação foi incrível.

Para finalizar, fica a parte ruim (para ser generoso no mínimo), que foi o suplício para sair do show. Choveu grande parte do tempo e o que poderia ser apenas um incoveniente virou uma tortura quando a organização do evento se mostrou totalmente despreparada e desinformada para guiar as pessoas para os ônibus que levariam todos aos estacionamentos. Eu demorei cerca de 2 horas da saída do show até a porta de meu carro. Pelos valores cobrados pelos ingressos a consideração com o público foi próximo a zero. Acredito que para muitos, infelizmente, a agonia da saída tenha estado lado a lado com as lembranças que ficarão do show.

Comments

  1. Posted by Tercio on 27 de abril de 2012, 12:56 pm [Reply]

    Show inesquecível. Saída do show palhaçada. Levamos eu e minha esposa 3 horas para chegar ao meu carro, através do ônibus. Horas em uma fila que não andava. Frio, chuva, fome. Crianças e mais velhos passando mau. Ninguém sabia de nada. Era uma fila absurda, sem comando, coordenação. Finalmente quando peguei o ônibus o motorista parava nos bolsoes porém não sabia que número era. Me deram uma pulseira rosa do bolsao 5. Desci do ônibus nesse bolsao, qual foi mais uma decepção, na verdade meu carro estava no bolsao 2, ou seja me deram a pulseira errada! Estou revoltado com isso. Paguei caro no ingresso, no estacionamento e fui tratado como lixo. Lamentável.

    • Posted by Guilherme Simões on 27 de abril de 2012, 9:21 pm [Reply]

      Compartilho da frustração Tercio! É uma pena que essas lembranças possam ser maiores do que o show em si. Floripa ainda precisa de muito para receber shows como este.

  2. Posted by marilda ehlke on 29 de abril de 2012, 11:22 pm [Reply]

    Foi realmente um caos a saída do show do Paul, eu quase fui sufocada pela multidão que se comprimia cada vez mais em um espaço cercado por cercas de metal, onde o povo impaciente gritava palavras ofensivas (pqp… e outras) contra os organizadores do show. Deveria haver cerca de 20.000 pessoas comprimidas como uma boiada em um curral que afunilava numa saída de fila indiana. Os onibus não eram suficientes e retornavam após deixar as pessoas nos bolsões. Consegui sair do meio da multidão e segui a pé até o aeroporto, onde esperei o transito caotico se acalmar para enfim às 4:30 da madrugada pegar um taxi e ir para casa. O show foi maravilhoso, mas Floripa não tem condições de receber um megashow como este. Poderi TER HAVIDO PANICO E TRAGÉDIA.

  3. Posted by Bern Walter Grafe on 3 de maio de 2012, 8:33 pm [Reply]

    Deve ser responsabilizada a polícia que deveria ter feito a segurança do show. Os tais estrategistas militares falharam completamente na saída do show. Mas, valeu a pena ver Sir Paul ao vivo foi indescritivel, fabulos inesquecível. Eu tenho 66 anos e como idoso não tive consideração nenhuma por parte daqueles. Na saída fomos empurrados para um curral onde andamos uma porção de tempo e chagamos a lugar nenhum. Os motoristas não sabiam onde ficavam os bolsões. Mal informados. Fomos da Ressacada a pé até o ]Mercado Bistek. Onde entramos em contato com um amigo que foi nos buscar de taxi até o Tribunal de Justiça onde estava o carro do meu filho. Soubemos no dia seguinte que o pessoal do bolsão 7 só saiu de lá as 3h. Lamentável.

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