Por Gisele Pungan. Fotos: José Roberto Pereira
Quem apostou na programação de aniversário de São Paulo e, depois de assistir o dj set do Rapture no Centro Cultural Banco do Brasil, deu uma esticadinha pelo centro da cidade e chegou cedo para o show no Cine Jóia se deu bem. A banda entrou no palco pontualmente às 10h da noite, deixando muita gente sem o prazer de escutar a primeira música do show. O Jóia estava lotado, os ânimos nas alturas e o vocal gritado de Luke Jenner caiu como uma luva para o caldeirão que o clube se transformou durante o show. Devido a uma instabilidade no fornecimento de energia elétrica na região o ar condicionado da casa ficou desligado durante a apresentação, e, por pior que fosse o calor, parece que o clima de inferninho combinou bem com o som do Rapture.
Num show curto, com uma boa mistura entre as ótimas canções do último álbum “In the Grace of Your Love”, e unanimidades do repertório da banda como “Whoo! Alright – Yeah…Uh Huh” e “Olio”, a sensação foi de um único grande hit: o público não parou de pular e cantar por nem um minuto. Suados e descabelados, os indies sairam do armário: teve até quem arriscou um crowd-surfing, e meia-dúzia de moshs.
No palco, Jenner cantava a plenos pulmões mantendo seu estilo desencanado: de camisetão e cabelos desgrenhados, parecia que tinha acordado e ido para o show, e pelo jeito ele é do tipo que acorda de bom humor. Prometeu que da próxima vez que vier ao Brasil vai estar arrasando no português, apesar da plateia não precisar entendê-lo para responder ao astro com toda a força.
Quem esbanjou pique também foi o multi-instrumentista Gabriel Andruzzi. Fez o dj set animadíssimo no CCBB, acompanhado pelo baterista Vito Roccoforte, e compareceu no palco do Jóia em menos de duas horas depois, pronto para comandar um dos pontos altos do show: puxar o hit “House of Jealous Lovers” tocando um cowbell que deve ter pertencido a uma vaca holandesa, a julgar pelo tamanho. Tocou sax, teclado, cantou e dançou, mostrando uma fome de música invejável.
Quando tudo terminou, era pouco depois da meia noite, e o público saiu desbaratinado, sem saber o que fazer com toda a energia que o show tinha acabado de levantar. Ninguém que subisse ao palco naquela hora conseguiria dar conta para manter o pique como o Rapture fez, então o melhor mesmo foi ir para casa tomar um banho gelado, por que afinal, o feriado já tinha acabado.

Gabriel Andruzzi e Vito Roccoforte tocaram hits da DFA no CCBB
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