O UMF e a herança maldita

Publicado em 6 de December de 2011

O Skol Beats foi o primeiro mega-festival de música eletrônica do Brasil, lá nos idos de 2000. Logo na primeira edição atingiu um ótimo público de 20.000 presentes, e em 2006 se tornou o maior festival de música eletrônica do mundo. As edições de 2007 e 2008 deixaram a desejar: enquanto o estilo não se reciclava e as novidades não pareciam tão frescas, o público frequentador não parecia mais tão vanguardista. Esse beco em que o festival se viu mostrou-se sem saída, e levou ao seu encerramento em 2008.

É visível que a vinda do UMF, festival gringo que existe também desde 2000 em Miami, tem o objetivo de ocupar a lacuna deixada pelo falecido Skol Beats – e a presença na organização da XYZ, comandada hoje por Bazinho Ferraz (que organizava o SB), não deixa dúvidas.

O problema é: se por um lado o UMF resgata o que o Skol Beats tinha de bom – um apuro na seleção musical, uma organização impecável, um espaço bem ocupado no Anhembi – por outro carrega sua herança trágica: algo não funciona. O mesmo público esquisito continua lá – garotos bombados e garotas de salto alto que parecem mais ali pra desfilar do que pela música; a certa altura, o desfile de zombies chega a assustar mesmo o menos católico dos seres humanos. Nada contra se divertir (muito), mas quando um festival perde a interação entre as pessoas perde um pouco a graça (pra mim, pelo menos).

Não que a organização não tenha arriscado no lineup, buscando um público mais eclético que do Skol Beats: o New Order devia atrair (e atraiu) milhares de fãs não necessariamente ligados à música eletrônica atual. E fez o que se esperava deles: um show saudosista, cantado a plenos pulmões por uma platéia sedenta pelos hits. É uma banda visivelmente cansada do seu trabalho, mas ninguém ali parecia se importar – bastava estar ali. O som começou particularmente ruim, e melhorou ao longo da apresentação. Também o Death From Above 1979 tinha por missão atrair um outro público – mas diferentemente dos ingleses, os canadesenses mostraram com quanta pulsação se faz rock’n roll, fazendo o melhor show do festival. Intenso, agressivo, barulhento demais, berrado até o último suspiro e sempre sutilmente sexy, o DFA não deu trégua pra uma platéia hipnotizada. Ainda melhor do que o show que vi no Lollapalooza em Chicago este ano.

Death from Above 1979

Entre os eletrônicos, o destaque ficou pro Major Lazer, que também incendiou a galera com sua mistura de house, reggae, e outras afinidades. Não teve quem ficou parado. Os destaques negativos ficaram pro MSTRKRFT e 2 Many DJ’s, que fizeram shows bem pobres e aquém do que já mostraram por aqui.

Noves fora, foi uma noite divertida, que apesar da garoa fina correu sem maiores problemas, até porque o público que não chegou a encher o local facilitou as indas e vindas entre os palcos e a movimentação nos bares e banheiros. Agora é esperar pelos próximos anos.

Fotos: Organização. Vídeos de MarkinhosFagundes (http://www.youtube.com/user/MarkinhosFagundes)

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