Rock in Rio: 700 mil pessoas estão erradas?

Publicado em 22 de agosto de 2011

Desde os primeiros anúncios de atrações desta edição do Rock in Rio que público e crítica especializada têm desfilado críticas ao lineup do festival, que efetivamente nunca chegou a surpreender perto da avalanche de boatos que circularam pelas redes antes dos anúncios oficiais. Surpreendentemente (pra quem?), no entanto, os ingressos pros iniciais 6 dias, e depois para o dia extra, simplesmente voaram em poucos dias – e todos os 700 mil ingressos colocados à disposição foram esgotados. Como explicar o fenômeno?

Em primeiro lugar, que não se tente exigir do Rock in Rio um tipo de coerência óbvia. Esse nunca foi seu forte, deste a primeira edição, lá em 1985 (quem não se lembra de Rod Stewart tocando antes de Ozzy Osbourne? Ou do Lobão no dia do Metal, no Rock in Rio 2?). Não se esqueçam, afinal (incoerência das incoerências), que o Rock in Rio simplesmente acontecia ultimamente em Lisboa e Madrid, apenas da cidade carioca em seu nome.

O fato é que, para o desespero dos puristas, a vocação grandiloquente do Rock in Rio supera qualquer palavra em seu nome, seja ela “Rock” ou “Rio”. Ele está acima disso. E sejamos honestos, foi essa ousadia megalomaníaca que tornou possivel o próprio surgimento do Rock in Rio em 1985, numa época em que não existiam grandes festivais no Brasil. E de lá pra cá, o tino oportunista do clã Medina (e digo oportunista não de forma pejorativa, veja bem), fez com que o festival atingisse um tamanho monstruoso. Hoje, o Rock in Rio é um festival 5 vezes maior que Woodstock, e neste ano vendeu o equivalente a 60% dos ingressos de artistas de renome internacional vendidos em SP em 2010. Pára pra pensar no tamanho do negócio.

É óbvio que tanta magnitude não seria atingida com artistas de gueto ou “alternativos”. O RiR trabalha com as massas e o que as move, e mais: é na eclética escalação que ele atinge seu sucesso, compondo uma gigante rádio pop que toca um pouco de tudo. Talvez a única concessão de segmentação na programação seja o histórico dia do Metal, que sempre existiu e sempre existirá, menos por uma convicção de valores do que por uma certeza de público fiel.

Isso dito, tirando talvez a escalação de um decadente Guns and Roses (decadente mas ainda forte atrator de público, veja bem), o Rock in Rio 2011 é competente em trazer um pouco do melhor do pop mundial, de Katy Perry e Rihanna aos ícones Elton John e Stevie Wonder. Atende os metaleiros com os óbvios (mas bons) Metallica e Motorhead e o máximo que se aproxima do alternativo é com Coldplay e Snow Patrol. Red Hot Chili Peppers, Slipknot, Jamiroquai, Ke$ha, Shakira, Lenny Kravitz, Jay-Z e Evanescence são também todos nomes pesos-pesados em seus gêneros. Aqui tudo é mega.

Os organizadores do RiR sabem também que boa parte do seu público não vem do RJ ou de SP. Pra esse público, a simples mobilização faz parte da festa; importa menos ver aquela banda nova-super-hype do que uma banda estrelada que todo mundo gosta. Veja, isso não é uma crítica – é preciso que existam festivais assim, assim como é preciso que existam festivais de nicho, como o Planeta Terra ou as Poploads Gigs, de caráter eminentemente indie.

É curioso ver como o SWU parece se espelhar com dedicação no Rock in Rio. Talvez não por acaso, sejam dois festivais conduzidos por publicitários. Mas o SWU também percebeu que vale a grandiloquência, e que enquanto o público paulistano busca novidades, o do interior busca o que é pop. Até a plataforma “politicamente correta” do SWU lembra o “Por um mundo melhor” do RiR. Apenas como parênteses, o SWU só parece estar se dando melhor no tal nicho do Metal, conseguindo conciliar novidades com repercussão.

Voltando ao Rock in Rio, é preciso enxergar o festival com outros olhos, que não os meramente do hype que dominam a crítica musical dos dias de hoje. E ainda sim, será possível encontrar pequenas pérolas dispersas no meio da grandiosidade pop, como o The Asteroids Galaxy Tour (primeiro dia), o Mondo Cane do Mike Patton (segundo dia) e o System of a Down e o Hercules & Love Affair (último dia).

O Rock in Rio é o maior evento de música do mundo, e já reuniu mais de 5 milhões de pessoas em suas 9 edições. As 700 mil pessoas desta edição superam em quase 4 vezes o público do festival de Glastonbury, no Reino Unido. Não dá pra desprezar, né?

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