Previsão do tempo assustando: tudo indicava que uma grande tempestade ia cair sobre Chicago no final do dia. E não, isso não era uma metáfora do show do Foo Fighters. Mas enquanto não chegava a hora, o sol brilhava forte no ultimo dia do Lollapalooza 2011. Que correu assim:
Gold Motel
Primeira banda do dia, liderada pela fofura da Greta Morgan (que mais tarde deu um entrevista a este site, depois vc vê por aqui). Som com pegada bem pop que caiu perfeito no ensolarado dia da cidade, o show tem um clima meio vintage que é bem simpatico. Greta é tímida mas conduz o espetáculo com uma doçura cativante. O som da banda, com ecos de Beach Boys e coisas do tipo, também ajuda a criar um clima pra cima.
The Pains of Being Pure at Heart
É fácil criticar o The Pains of Being Pure at Heart: cópia de Smiths, sub-anos 80, repetitiva nos arranjos. A banda pode ser tudo isso, mas vai além; e no palco mostra que tem vitalidade e qualidade pra conquistar seu espaço, como vem acontecendo. Se por um lado é verdade q mtas músicas se parecem, ao vivo elas ganham cores próprias, principalmente pela interpretação apaixonada do vocalista Kip Berman. O show tem um crescendo invejável, e no final é impossível ver alguém que não esteja ao menos balançando a cabeça. Sensacional.
The Cars
Os veteranos do The Cars já entraram no palco entregando um dos seus grandes hits, “Good Times Roll”. A galera respondeu com empolgação, mas o vocalista Ric Ocasek parecia não corresponder a tanta animação. De óculos e com uma postura meio desinteressada, acompanhava a música em uma tela ao seu lado. Um banho de água fria. Mas a impressão inicial foi se dissipando (nem tanto por esfoço de Ocasek, mas do resto da banda e do público), e quando, ainda no começo, tocaram “My Best Friend’s Girl”, o clima já estava perfeito. Não foi o show que poderia ter sido, mas foi bem divertido.
Arctic Monkeys
A tal tempestade prevista começou a armar desde as 16hs, mas foi só pouco antes do show do Arctic Monkeys, às 18hs, que ela começou a cair com uma violência impressionante. Isso obrigou a produção a atrasar o início do show, deslocando toda a estrutura da banda mais pro fundo do palco. Essa demora não esfriou a galera, que gritava e cantava debaixo da chuva. Quando Alex Turner entrou no palco com um estilo rockabilly meio Joe Strummer, a chuva já tinha diminuído e logo deu lugar ao sol novamente. E aí foi aquilo: o AM desfilando um som pesado e direto, sem firulas e com um vigor de quem parecia ter começado ontem. As músicas do novo CD funcionam bem ao vivo, e quase fazem a gente esquecer dos hits antigos; “I bet you look good at the dancefloor” quase passou despercebida (eu disse “quase”). Mas não o resto: o Arctic Monkeys fucking rocks, como disse o Dave Grohl mais tarde.
Foo Fighters
Ok, a previsão dizia UMA tempestade no dia. Depois do Arctic Monkeys, o sol voltou a abrir, o céu limpou e tudo voltou ao normal. Mas no começo do show do FF tudo fechou novamente, e Dave Grohl mal tinha começado a berrar quando caiu um verdadeiro dilúvio em Chicago, ainda maior que o anterior. Poderia ser um desastre, mas serviu pra aproximar ainda mais a galera; como o próprio Dave admitiu, a chuva ajudou a fazer daquele um puta show. As pessoas gritavam com vontade, enquanto outros pulavam sem dó na lama. A banda por seu lado batia com vontade, conduzida por um Dave Grohl que parecia muito em casa (até arrotou no microfone). Contou que esteve no primeiro Lollapalloza, em Los Angeles, enquanto gravava “Nevermind” (dá pra imaginar?). Agradeceu Perry Farrell e todos que tocam “Música de verdade, não essa porra eletrônica que ficam tocando por aí”. Foram 20 músicas e 2 horas de show, terminando com o hit “Everlong”, enquanto todo mundo gritava a plenos pulmões: “(And I wonder) If everything could ever feel this real forever / If anything could ever be this good again”. Boa pergunta, Dave. Catarse, catarse, catarse.
* Fotos do Foo Fighters por Cambria Harkey. Todas as outras por Zé Roberto Pereira.
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