Mais um dia de sol em Chicago – ou melhor dizendo, um puta sol em Chicago. Pulando de palco em palco, o dia foi mais ou menos assim:
J Roddy Walston and The Business
Era ainda meio-dia quando J Roddy e sua banda de punk-blues (what?) entrou no palco pra uma plateia ainda sonolenta. Mas isso não foi problema: socando o piano com raiva, berrando com sua voz que parece curtida em (muito) whisky, o cara conseguiu impor respeito. A banda é bem afiada e não se perde na barulheira, mantendo sempre o pé firme na tradição do blues o do classic rock. Um belo jeito de começar o dia.
Phantogram
Uma das coisas ruins de trabalhar num festival é que entre o trabalho e a diversão, vc precisa escolher o trabalho. Foi o que aconteceu ontem enquanto rolava o show do Phantogram e fiquei preso na tenda da mídia resolvendo uns problemas. Por sorte (ou não, sei lá), de lá de dentro dava pra ouvir bem o show, que pareceu ser bem bom. Parecia sutilmente diferente do disco, o que é um sinal de maturidade. A ver numa próxima vez.
Mayer Hawthorne & The County
Peguei pouco do show do cara, mas uma coisa o americano de Michigan tem: talento pra fazer um espetáculo divertido com classe. Galera dançando, todo mundo feliz. Pareceu legal.
Death from Above 1979
A formação do Death from Above é tão improvável quanto genial: um bateirista-cantor e um baixista (que na prática usa seu baixo como quase uma guitarra, mas enfim). No palco, esse minimalismo continua: um de preto, outro de branco e é isso. E aí é o seguinte: barulho da melhor qualidade, alto e rápido, destruindo tudo debaixo do sol escaldante de Chicago. Apesar da barulheira, os caras conseguem construir uma personalidade pra cada música. Honestamente, toda banda que quer fazer som pesado devia ESTUDAR os caras. Genial.
Lykke Li
A dimensão que Likke Li tem na mídia hoje pode ser medida pela quantidade de fotógrafos que se espremeram no pit pra cobrir o show da garota, acomodado num palco menor do festival. Ela em si não parece muito confortável nesse papel, tanto que curiosamente parecia evitar se aproximar de onde justamente estavam os fotógrafos. Mas isso à parte, é verdade que ela tem carisma com a plateia (apesar de ser bem tímida). Seu show não cai na lentidão das músicas do seu primeiro disco, e vai crescendo consistentemente até o final, encerrando com a radiofônica “Get Some”. É bacana, mas Li precisa tomar cuidado pra não tentar ser o que não é (uma diva pop), e simplesmente valorizar seu carisma natural.
Beirut
Enquanto o festival rachava no meio entre os que iam ver o Eminem e os que ficaram pro My Morning Jacket, uma pequena parcela escolheu o show do Beirut pra encerrar o Segundo dia do festival. Escolha acertada: os caras não deixam o clima hiponga predominar, e conduzem com delicadeza a sinfonia de instrumentos característica do grupo. Enquanto o My Morning Jacket parecia tocar num volume ensurdecedor no palco principal, chegando a incomodar mesmo à distância, o Beirut fazia um som equilibrado, divertido e envolvente, deixando todo mundo com um sorriso na cara.
Os shows que eu não vi
Conversei com muita gente que adorou o show do Eminem ontem. Friendly Fires parece que se saiu bem também.
(O post de hoje veio sem fotos por conta da correria. Mas prometo atualizar em breve)
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