Jonathan Richman e o que acontece quando o rock envelhece

Publicado em 20 de April de 2010

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Um vinho quando envelhece não tenta se parecer com um vinho jovem. Um uísque envelhecido não é só uma versão insossa de sua versão mais nova. E assim é a música de Jonathan Richman: um rock´n roll pra adultos, que deixou pra trás a pura energia da juventude mas também não é uma fórmula diluída dele mesmo.

Quem foi ao Sesc Pompéia na sexta passada esperando um show do Modern Lovers, fantástica ex-banda de Richman, se deu bem mal. Estranhamente, pouco se falou sobre isso na imprensa antes do show, o que deve ter sido responsável por tanta gente frustrada. O fato é que o trabalho de Richman há muito tempo se afastou da crueza cool do Modern Lovers, e hoje se aproxima mais de um crooner esquisito, mezzo-castelhano mezzo-italiano (de fato, há poucas músicas em inglês no seu show).

Houve quem dissesse, na platéia, que muitas vezes ele lembrava um Tom Zé menos tropicalista, mais rock’n roll. Se isso for entendido como um elogio, é verdade.

O mais bacana é que o cara canta como se estivesse na sala da própria casa, só que com um Sesc Pompéia (quase) cheio. Delicado mas performático (Tocando um violão sem correia, permitindo algumas acrobacias pontuais), Jonathan Richman fez um show pra gente grande. Pode não ter sido o que muita gente esperava, mas foi uma aula de como envelhecer com dignidade e consistência.

Foto de Maycon Amoroso (www.flickr.com/photos/mayconamoroso)

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