Franz Ferdinand: everytime it gets better

Publicado em 26 de March de 2010
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Franz Ferdinand em SP: Hotter than hell

Em determinado momento do show anteontem em São Paulo, o vocalista Alex Kapranos declarou: “É a quarta vez que a gente vem ao Brasil, e fica cada vez melhor” – e tomando como parâmetro o grito ensandencido da multidão que veio na sequência, todo mundo ali concordava com ele.

Não vi os últimos dois shows (fechados) deles por aqui (no último, publiquei até um post bem puto com essa coisa de show fechado e tal), mas estive no show de 2006 no Motomix, e realmente muita coisa mudou de lá pra cá. Difícil dizer melhorou, pq aquele show foi incrível, só superado pelo já mítico show do RJ, no Circo Voador. Mas se o Franz de 2006 já tinha a energia pra enlouquecer uma multidão, o de 2010 mostrou um domínio perfeito dessa energia – e isso é muita coisa pra uma banda tão jovem.

O melhor exemplo está na comparação entre as performances de “This Fire”: enquanto em 2006 foi uma bomba atômica, incendiando (desculpem o trocadilho) a galera do começo ao fim, no show de anteontem no Via Funchal uma introdução mais lenta “segurava” o público, excitando, provocando, até a explosão total – um orgasmo coletivo conduzido com precisão por Mr. Kapranos.

O show já começou num ritmo alucinado: antes mesmo dos primeiros acordes, o público (que no final das contas lotou o Via Funchal) já gritava muito mais alto do que o som das caixas (mais sobre a qualidade do som, daqui a pouco).  Começou com “Bite Hard” e já emendou logo “Dark of the Matinée” – poucas bandas podem se dar ao luxo de jogar um de seus maiores hits logo na segunda música, certo? Mas o fato é que o set-list do Franz é uma sucessão de hits cantados aos berros pela galera, do começo ao fim.

Não que o Franz tenha 20 radio hits, veja bem. Mas o grande trunfo da banda é tocar TODA música como se fosse seu maior hit, com energia e dedicação únicas, como se fosse a última música do show. Impossível não se contagiar com essa empolgação juvenil – e nesse contexto, mesmo os clichês mais batidos do rock´n roll – subir nos amplificadores, solos de guitarra atrás da cabeça, “o-o-o´s” e “la-la-la´s”- surtem um efeito estimulante, arrebatador. No limite do pop quase-brega, o Franz se salva por sua honestidade e vitalidade juvenil.

A nota negativa fica por conta da organização: confusão pra entrar, calor insuportável lá dentro, qualidade de som terrível (na primeira metade do show, principalmente). Particularmente fico até sem graça de falar mal do Via Funchal, já que tem um sido sem dúvida a melhor das casas de shows de seu porte aqui em SP – mas realmente pagar R$ 120,00 pra passar calor e ouvir mal o show é no mínimo desproporcional. Será que um dia teremos o “Estatuto do frequentador de shows”, assim como criaram o “Estatuto do Torcedor”?

Mas é claro que, reclamações à parte, pra grande maioria ali presente isso importou menos do que o carisma e energia do Franz Ferdinand. E quando a banda terminou o bis (que começou com “All my friends”, cover do LCD Soundsystem, e encerrou com uma versão potente e lisérgica de “Lucid Dreams”), só uma coisa passava pela cabeça de todo mundo ali: se é pra continuar melhorando assim a cada vez, vocês serão sempre bem-vindos – em shows abertos, claro.

Set-list:

Bite Hard
The Dark of the Matinée
Tell Her Tonight
No You Girls
The Fallen
Can’t Stop Feeling
Do You Want To
Walk Away
Take Me Out
What You Came For
Turn It On
This Fire
Ulysses
Shopping For Blood
Outsiders

Bis

All My Friends
Michael
Darts of Pleasure
40
Lucid Dreams

Vídeo de “This Fire”: a filmagem tá horrível, mas talvez dê pra quem não estava lá entender o clima:

Créditos: Foto de Stephanie Miyazaki; Vídeo de Zé Roberto Pereira.

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