Indie Hip Hop 2009 com Mos Def no Sesc Santo André

Publicado em 8 de December de 2009

No já tradicional festival anual de hip-hop realizado no Sesc Santo André (minha cidade natal), o Indie Hip Hop desse ano comemorou, com muita classe, os 10 anos do primeiro grande festival do estilo realizado pelo SESC-SP, o Dulôco. O festival que já contou com Jurassic 5, De la soul, Pharoahe Monch e Talib Kweli, teve como atração principal dessa vez, Most Definitely, mais conhecido como Mos Def.

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Os Gêmeos

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XIS

Após já ter ido aos Indie Hip-hop`s anteriores, eu já imaginava o que esperar. Público hip-hop em peso, porém um público da linha hip-hop mais consciente, não tão “gangueira” (apesar da vibração do público ao ouvir c.r.e.a.m. do wu-tang clan batendo forte nos PA`s), junto com curiosos da música e fãs ecléticos como quem vos escreve. Enfim, o clima sempre foi de festa, de encontrar velhos conhecidos, nostalgia e cerveja barata (o ponto negativo aqui foi que dessa vez não tinham dois bares como nos outros anos e com isso a fila pra comprar bebida era gigantesca).
Esse ano contou também com oficinas de dança e de DJ, e os grafites por conta d’OsGemeos que enquanto grafitavam, breakbeats old school tocavam alto nos falantes complementando o contexto. Quanto aos grupos nacionais, no sábado foram Contra Fluxo + Espião; Inumanos + Max B.O, Pizzol e Pentágono; e no domingo, Mamelo Sound System + Elo da Corrente; Kamau + Parteum, Nel Sentimentum e A Filial.
Os DJ`s convidados foram DJ Tamempi, PG e DJ Pathy DeJesus, essa última foi a melhor DJ do evento, ela tocou durante os intervalos dos shows do domingo e conquistou o público com um set de muito bom gosto. O DJ internacional convidado foi o norte-americano Mista Sinista, um dos mestres do turntablism e integrante da lendária orquestra de toca-discos X-Ecutioners, que ministrou uma oficina para DJ’s especializados em scratch e fez uma demonstração insana de scratches no sábado.
O mestre que comandou a cerimônia dos dois dias acabou sendo o Xis, aquele mesmo dos “mano pow e as mina pá” que hoje é VJ da Mix TV. Até agora não sei porque o Thaíde, que seria o MC de domingo, não estava lá, mas mesmo que o público rap olhe para o Xis com olhos de desconfiança hoje em dia, achei que ele segurou bem a onda, de certa forma.
Ok, vamos aos shows. Dos grupos nacionais que se apresentaram no sábado, me chamou a atenção o Pentágono, grupo de 5 integrantes (porque será, né?), com um Dj e 4 mc`s muito carismáticos, dreadlockados, rimas puxadas pro ragga e percebi que o público underground do rap nacional os conhecia muito bem, pois cantavam em coro suas músicas. Destaque pro rapper Rael que tem um forte diferencial, pois além de rimar, ele canta realmente e isso faz toda a diferença.
No domingo, das atrações nacionais, destaco o show do Kamau + Parteum. Eles se apresentaram juntos e o diferencial deles é que eles fazem parte dos poucos que possuem uma visão bastante profissional, sabendo se portar como verdadeiros artistas de rap sem utilizar daqueles discursos manjados contra “o sistema”, conduzindo com perfeição o público. Devo fazer uma ressalva expressando o quanto o mercado musical no Brasil é injusto, pois temos esses grandes talentos que correm com as próprias pernas enquanto alguns que não sabem nem andar são carregados por empresários e produtores que só se preocupam com seus carros importados e suas casas na praia.
Quanto aos outros grupos nacionais que se apresentaram nos dois dias, apesar de alguns nomes já conhecidos, senti falta de carisma e presença de palco.
Antes do esperado show de encerramento, houve um momento reverenciando a dança, e no telão rolou um vídeo gravado em NY feito especialmente para o Brasil, mais especificamente pro evento, com uma apresentação de um grupo de dança old school com passos de break seguido de uma apresentação ao vivo de break no palco que foi muito interessante, diria até emocionante.
Dos discípulos vamos ao mestre. Mos Def, entrou no palco nos dois dias perto das 22hs, a minha ansiedade no sábado era enorme pois sou fã declarado de suas músicas e até das suas performances nos filmes hollywoodianos. Mas tenho que ser sincero aqui, ele entrou no palco meio que do nada, foi até uma bateria montada ao lado do palco (que ele tocava em pé), fez uns ritmos tribais e rimou ao mesmo tempo, aquilo foi meio estranho pois achava que ele entraria fazendo todo mundo bater cabeça, como o Talib Kweli e o De la soul fizeram nos IHH`s passados.
Enfim, ele tocou músicas do seu novo cd “The Ecstatic”, fazendo parte do público como eu, conhecer o disco ali na hora. Entre uma música e outra, rolavam interlúdios e muitos deles homenageando o Brasil, com trechos de músicas nacionais antigas como Jorge Ben, Originais do Samba, etc. Ele até tentou sambar, mas até hoje não vi gringo conseguir esse feito.
Um dos pontos altos do show, foi uma homenagem ao Michael Jackson em que ele cantou Rock With You tocando bateria e cantou Billie Jean, dançando e mandando até um “moonwalk” . Com isso ele ganhou o público de vez.
Continuando as homenagens ao Brasil, ele chamou ao palco, o que pra mim é um motivo de orgulho nacional, a grande banda Black Rio e em cima da funkeira que a banda mandava, o rapper ia rimando sem parar, inclusive em seu novo disco há uma música chamada Casa Forte em que ele usa samplers da Black Rio.
Após tudo isso, vieram clássicos como Definition, Travelin Man e Umi Says, nessa última quase perdi a voz cantando junto.
Notei também durante o show que o rapper/ator brincava com o público com suas rimas, mas ficava difícil de toda aquela massa entender e interagir porque ele rimava sem parar. Mas sempre que ele podia gritava em português “te amo, te amo Brasil, te amo São Paulo!”.
No domingo, os comentários dos que também foram no sábado eram quase unânimes, “queremos mais rap, menos embasso”. E parece que ele entendeu e fez um show parecido só que diferente, se é que dar pra entender. O show teve mais atitude rap e mais clássicos. Ele mesmo, entre um som e outro dizia, “classical, classical!” e novamente, em português “te amo, Brasil” e dessa vez rolaram até “te amo, MV Bill”, “te amo, Racionais” e “te amo, Tim Maia!”!
Devo ressaltar também o seu estilo que se difere muito de outros rappers, desde a forma de se vestir (sapato, calça xadrez, suspensório, camisa e gravata), dançar, cantar, pois ele realmente sabe cantar muito bem, e não rola nada daquele lance de “dedo na cara” típico, até seu microfone é diferente, um modelo vintage, daqueles utilizados nos anos 60 pelos cantores de jazz na cor vermelha.
Pra finalizar, os que foram nos dois dias, se deram muito bem, porque se o Mos Def assustou alguns fãs, como eu, no sábado; no domingo ele recompensou todo mundo com mais atitude, clássicos e carisma.
O público do domingo recebeu uma surpresa na saída do show, quem mostrasse o canhoto do ingresso ganhava um livro de fotos da história da Dulôco e seus festivais, muito legal! Eu garanti o meu.
Bom, pra quem gosta ou apenas é “simpatizante” do hip-hop, o IHH é um festival anual, barato ($), no Sesc, que tem uma estrutura muito boa, sendo um momento perfeito pra curtir hip-hop em todos os aspectos, seja na dança, grafite, música, roupas, etc. Vale muito a pena!

mosdef

Mos Def

E já existem boatos que no Indie Hip-hop do ano que vem, virá o grande Q-tip!

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Comments

  1. Posted by fumaça on 9 de December de 2009, 4:42 pm [Reply]

    affffffff mamelo sound system de novo ninguem merece!!!!!!!

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