Resenha do Dirty Projectors em SP

Amber Coffman
Uns amigos me ligaram direto do show do Dirty Projectors lá no RJ, domingo, pra reforçar que eu tinha que estar presente no show dos caras aqui em SP. Pela empolgação da galera, resolvi não contrariar.
Antes de falar do Dirty Projectors, vou falar um pouquinho do Holger, que abriu o show. Já tinha visto uma música só dos caras na primeira Popload Gig (ali mesmo na Clash), e tinha gostado do que ouvi; dessa vez a boa impressão só se confirmou. O Holger é um caldeirão de influências indie (guitarras cruas e agudas, vocais em falsete, camisas xadrez etc), que se não chega a inovar, pelo menos é extremamente competente no que faz. O mérito dos caras é fazer um som moderno com muita energia, contagiando a galera. Há algo de performático demais neles que me incomoda um pouco, mas deixa pra lá. Deixa a molecada se divertir também.
O Dirty Projectors entrou no palco lá pelas 23 horas apenas com o vocalista e líder, Dave Longstreth, e a charmosa Angel Deradoorian cantando uma delicada canção (”Two Doves”). Mas esse minimalismo inicial não teve continuidade ao longo do show. O som do Dirty Projectors é complexo, polifônico, explorando timbres e harmonias pouco usuais; não por acaso, na maior parte das músicas as guitarras usam capotrastes para produzir sons mais agudos e estridentes; as vozes (até 4, dependendo da música) são orquestradas como um coral. O resultado é um som cheio de camadas, que se estranha a princípio, seduz conforme você se deixa tomar pela estranheza.
Esse tipo de som corre um sério risco em shows ao vivo, onde não há o controle preciso das mesas do estúdio. Mas o Dirty Projectors faz essa transição com naturalidade, e muito pelo contrário: o que poderia até parecer erudito demais jamais cai nessa aramadilha, devido à energia e simpatia de seus integrantes. Apesar de falarem pouco, os músicos esbanjam simpatia na forma como tocam e se relacionam no palco.
Apenas como exemplo: a pequena Angel, além de cantar, toca guitarra, teclados e baixo. E particularmente neste último, toca com uma dedicação e paixão que em muitos momentos dá até vontade de ser uma das cordas daquele baixo. Encantador.
Com tanta simpatia, a banda seduziu a platéia com facilidade, que parecia conhecer bastante a banda, cantando com empolgação músicas como “Temecula Sunrise” e “Stillness is the move”. Alguns tentavam dançar, mas a menina ao meu lado tinha dificuldade para acompanhar o ritmo quebrado da banda. Mas até essas cenas desengonçadas combinavam com o clima do show.
De ponto negativo, o público que não chegou a encher a casa (pena). Por outro lado, era um público estiloso e empolgado, suficiente para criar um clima bem legal na Clash (apesar do calor).
No final, a outra vocalista Amber Coffman (dona de uma voz incrível) afirmou que eles estavam impressionados e encantados com o Brasil, e que não podiam esperar a hora de voltar. Que seja em breve.
Setlist:
Two Doves
Imagine It
Cannibal Resource
Remade Horizon
Ascending Melody
Fucked For Life
Gimme Gimme Gimme + Thirsty and Miserable
Fluorescent Half Dome
No Intention
Stilness Is The Move
Temecula Sunrise
Knotty Pine
Mount Wittenberg Orca
Foto de sapiamaia.
q merda de nome