O Dia em que São Paulo parou.
7 de novembro de 2009. Chega o dia que uma geração inteira esperava. O dia em que veríamos Mike Patton no palco novamente. Desde que o Faith no More anunciou sua volta, já se sabia que passariam por aqui. “Mr. 1000 voices” sabe que deixou vários “órfãos” em terras tupiniquins. Logo nas primeiras horas do sábado, algumas nuvens já indicavam o prelúdio do que aconteceria durante a noite. Mas chega de enrolação e vamos ao que importa. Aliás. Mais um pouco de blá blá blá. Não iria entrar no assunto, afinal, já rendeu o que poderia ter rendido. Mas, na boa. Imbecilidade brutal fazer dois festivais no mesmo dia hein ? Puta merda, é o fim da picada. Puta descaso com o público. Não que esses produtores de show desse Brasil que lhes pariu estejam preocupados conosco. Mas pelo menos, se fizessem separado sairiam ganhando mais grana não?

Sepultura
Chegamos na Chácara do Jóquei e, de cara, me espantei com a organização da pista Premium. Foi a primeira vez que fui nessa situação em um show. Confesso ser totalmente contra a prática, mas dessa vez, resolvi arriscar pagar mais pra ter um pouco mais de conforto. Afinal, pai de família e com vários fios brancos teimando em aparecer, deixando meu cabelo alvinegro (vai Corinthians!), me senti no direito. E valeu muito a pena. Um lounge bacana, com restaurantes exclusivos, lojas e até algumas redes pra dar uma descansada. A pista era realmente VIP. Praticamente colados no palco vimos a equipe do Sepultura começar a montagem (infelizmente não cheguei a tempo de ver o Nação Zumbi). Andreas e cia. Fizeram aquele show de sempre né ? Não quero começar uma discussão aqui, mas o Sepultura já não é mais aquela banda do Chaos A.D. faz tempo. Não tinha como ser, é bem verdade. Indiscutível a qualidade de todos os músicos. O Jean destrói a bateria. Mas o vocal do Derrick não me convence, não tem jeito. Foi aquilo. Rolou “Arise”, “Innerself”, “Roots”, algumas novas… Show do Sepultura, pra mim, não apresenta mais novidades.

Deftones
Algumas cervejas e voltei pra pista pra ver o Deftones. Caralho, o que foi aquilo ? A atmosfera que os caras criam ao vivo e fantástica. Deftones é aquela banda que não importa muito se o som está bom, sabe ? Todas as vezes que tocaram por aqui, eles arregaçaram. Dessa vez não foi diferente. Os californianos sobem no palco e simplesmente vomitam sentimento na galera. É algo impressionante. Abriram com “Rocket Skates” do novo álbum, Eros e, daí em diante foi uma hora de total entrega ao público. O baixista Sergio Vegas, do finado Quicksand, se mostrou um substituto a altura do Chi Cheng, que, há um ano, se encontra em coma devido a um acidente de carro. Stephen dita as bases com uma desenvoltura sobre-humana e Abe é um baterista fenomenal. Chino Moreno é um caso a parte. O cara ama o que faz, acredita no que escreve, e realmente quer passar isso pra quem está ali embaixo, assistindo. Em “Hexagram”, Chino foi pra galera tirar o que restava de energia. Enfim, só o Deftones já teria valido o ingresso.

Perry Farrel e seu Janes Addiction
Depois do Deftones veio o Janes Addiction. O som tava bem melhor do que no Deftones. Mas o show não. Se por um lado o Deftones é pura adrenalina, a turma de Farrel é o oposto absoluto. Tudo muito redondo, tudo muito mastigado. Tudo muito produzido. Gosto do Janes Addiction, mas acho que ao vivo eles tem que dar uma desencanada. Quando a coisa é muito perfeitinha, fica meio sacal. Mas foi um show interessante. Perry Farrel é uma figura. O cara estava vestindo algo que parecia um macacão de malabarista, mostrando a insustentável magreza de seu ser. Dave Navarro manda bem ao vivo, mas com aquela cara de “acaba logo que eu quero ir pra casa”. Não tem uma improvisada. No final, rolou uma batucada, com direito a passistas dançando no palco. Até a batucada estava bem ensaiadinha. Boring.

O Gênio em ação.
Nessa hora, a chuva que parecia ter esquecido de mim, resolveu cair. Forte, chata e bem molhada. Uma atrasada básica pra cobrir os instrumentos e dar uma secada no palco. De repente, os primeiros acordes de “Reunited”, do Peaches & Herb. Mike Patton entrando de guarda chuva e bengala causou uma síncope coletiva. Puta som Classe A eles escolheram pra abrir os shows dessa tour. “From Out of Nowhere” vem logo depois. Aí os caras já tinham o público nas mãos. Se eles sentassem e ficassem dando tchauzinho durante duas horas, todo mundo sairia feliz. O que se viu daí pra frente foi realmente um espetáculo. Ver esses caras no palco, depois de tantos anos foi muito emocionante. A vibe era tanta que dava pra ver a chuva evaporando antes de encostar na galera. Fica meio chover no molhado (?) falar dos caras no palco. Bill Gould é foda. Roddy Bottum é foda. Joe Hudson é foda. Mike Bordin simplesmente me fez querer ser baterista. O que falar deles ? Mike Patton é uma das cabeças mais inteligentes que já apareceram no rock. Sem sombra de dúvidas. Gênio é a palavra que mais se encaixa em sua descrição. Pra ser um quinto do frontman que ele é, nego tem que se esforçar MUITO. Carisma de sobra, falando em português sempre que possível. “Sacanagem, São Paulo!”, “Porra, caralho!”. Cantar “Evidence” na nossa língua. Foi surreal. “Easy”, (me desculpem os puristas, mas pra mim essa musica já e deles. O Commodores deveria ceder os direitos) foi perfeita. “Midlife Crisis”, “Ashes to Ashes”, “Be Aggressive”, “Epic”… Não tem muito o que escrever do FNM. Primeiro encore “Stripsearch” e “We Care a Lot”. Segundo encore, “This Guy is in Love With You”, de Burt Bacharach, e “Digging The Grave”. Este blogueiro, que já estava com um sorriso de dar inveja ao Coringa do Jack Nicholson, quase teve um ataque cardíaco.
Não por tocarem uma das músicas mais perfeitas já escritas na história, mas por saber que a noite estava acabando. Pouco menos de duas horas que se passaram em alguns minutos. Ainda tinha aquela esperança do baixo estalar para “Falling to Pieces”, mas parabéns aos cariocas pela exclusividade. Enfim. Alma lavada, literalmente. Presenciar tudo isso, mais o fato de rever velhos amigos e de estar com meus camaradas, fez dessa chuvosa noite de Novembro um dos melhores dias da minha humilde vida. Quem não viu, me desculpe, perdeu um fato histórico. Quem estava lá, nunca mais vai esquecer.
Agora é esperar uns meses pro Metallica tentar superar. Vai dar um trampo hein Mr. Hetfield?
SETLISTS:
DEFTONES
1.Rocket Skates
2.Lotion
3.My Own Summer (Shove It)
4.Be Quiet and Drive (Far Away)
5.Feiticeira
6.Elite
7.Knife Prty
8.Root
9.Nosebleed
10.Beware
11.Around the Fur
12.Headup
13.Hole in the Earth
14.Hexagram
15.Change (In the House of Flies)
16.Passenger
17.7 Words
JANES ADDICTION (Agradecimentos especiais ao Regis Vernissage)
1. Up the Beach
2. Whores
3. Ain’t No Right
4. Three Days
5. Mountain Song
6. Then She Did…
7. Been Caught Stealing
8. Ocean Size
9. Ted, Just Admit It…
BIS
10. Stop!
11. Jane Says
12. Chip Away
FAITH NO MORE
1. Reunited (Peaches & Herb)
2. From Out of Nowhere
3. Be Aggressive
4. Caffeine
5. Evidence
6. Surprise! You’re Dead!
7. Last Cup of Sorrow
8. Ricochet
9. Easy (Commodores. Por enquanto.)
10. Epic
11. Midlife Crisis
12. Caralho Voador
13. The Gentle Art of Making Enemies
14. King for a Day
15. Ashes to Ashes
16. Just a Man
ENCORE 1
18. Chariots Of Fire/Stripsearch
19. We Care a Lot
ENCORE 2
21. This Guy’s in Love with You (Burt Bacharach)
22. Digging the Grave

Setlist Jane’s Addiction no Maquinária:
1. Up the Beach
2. Whores
3. Ain’t No Right
4. Three Days
5. Mountain Song
6. Then She Did…
7. Been Caught Stealing
8. Ocean Size
9. Ted, Just Admit It…
BIS
10. Stop!
11. Jane Says
12. Chip Away
Boa ideia a de vocês.
Cite o LineUp ao atualizar meu post com o set list e abri um link!
Saudações fanzineiras.
Valeu João!
Abraços.
[...] disse o Paulo Fioratti em seu review no blog LineUp Brasil, “Aí os caras já tinham o público nas mãos. Se eles sentassem e ficassem dando tchauzinho [...]