
Pra dar uma idéia do que eu achei do show em SP: eu nem gosto muito de “Creep”. Acho a música quase melodramática, e depois daquele comercial peguei ainda mais bode. Mas tenho que concordar que foi o encerramento perfeito pra um show perfeito: vibrante nos momentos certos, viajante, exquisito, doce e cheio de nuances. Do primeiro acorde de “15 step”, que abriu ao show, ao último grito de “I´m a creep, I´m a weirdo” dado pela platéia, o Radiohead entregou o que todo fã esperava: paixão, ousadia, delicadeza e virtuose, em perfeita sintonia. É bem verdade que a platéia de ”weirdos” (me included) estava entregue desde o início, e quase nada podia estragar aquela noite (e a organização do festival bem que tentou, mas isso é assunto pra outra hora), mas a habilidade da banda (e do esquisito-mor Thom Yorke) em conduzir uma massa de 30 mil pessoas ao êxtase é realmente notável. Algumas resenhas que eu li falavam de uma certa “frieza” da platéia, mas não sei de onde tiraram essa: a galera entoando “rain down, rain down” sozinha depois do fim de “Paranoid Android” não conta? (Aliás, o que foi essa música?). É claro que a galera se dividia entre os empolgadões e os viajandões pirando sozinhos, mas até isso deu uma graça no show.
Um ponto que merece destaque foi a qualidade do som: eu não me lembro de ter visto um som tão perfeito em uma apresentação ao ar livre aqui no Brasil – e isso é muito sério. Forte, grave, mas com uma nitidez de detalhes que não escondia as sutilezas de ruídos que a banda adora fazer, e valorizava a voz de Yorke – que continuava cristalina, mesmo após 2 horas de show.
Na minha opinião, foi o set-list mais equilibrado dos últimos shows, com a dose certa de empolgação, poesia e esquisitice (era pro show terminar com “Everything in its Right Place”, se não fosse “Creep”). Claro que uma banda como essa sempre vai deixar desejos não correspondidos (“Planet Telex” teria sido legal), mas no geral achei a escolha mais equilibrada do que os últimos shows. E, claro, teve “Creep”, em um terceiro bis (coisa rara), empolgante, melodramática, apoteótica. Pena que muita gente foi embora mais cedo e perdeu, com medo do caos no trânsito.
De onde eu estava (naquele morrinho no lado direito do palco), o visual do palco impressionava pelo conjunto e também pelos detalhes, como se fosse um organismo vivo acompanhando a música, compondo também uma unidade para o show. Delicado e impressionante, como o show.
O Radiohead pode não ser a maior banda do planeta, e nem a melhor. Mas é uma banda que se entrega por inteiro em um espetáculo rico em nuances, paixões e reflexões. O que é bem mais do que a gente pode esperar de um show de rock.
Set-list:
1. 15 Step
2. There There
3. The National Anthem
4. All I need
5. Pyramid Song
6. Karma Police
7. Nude
8. Arpeggi
9. The Gloaming
10. Talk Show Host
11. Optimistic
12. Faust Arp
13. Jigsaw falling into place
14. Idioteque
15. Climbing up the Walls
16. Exit Music (For a Film)
17. Bodysnatchers
Primeiro Bis
18. Videotape
19. Paranoid Android
20. Fake Plastic Trees
21. Lucky
22. Reckoner
Segundo bis
23. House of Cards
24. You & Whose Army?
25. Everything in its Right Place
Terceiro bis
26. Creep
Leia também as resenhas do UOL e do IG.
Pra dar uma idéia (ou lembrar) da piração que foi em “Creep”:
Leia também:

Comments
Ah Zé… Não é pra tudo isso vai…