Como vão ser os shows do Radiohead

Publicado em 19 de March de 2009

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“Os shows no Brasil – primeiros da banda por aqui em mais de 15 anos de carreira – vão ser os de número 51 e 52 da tour, e a banda continua fiel ao seu lado difícil. Em 50 shows, hits de primeira hora como “Anyone Can Play Guitar” do álbum Pablo Honey, e “Black Star” do disco The Bends não foram tocados sequer uma vez. Mas “Creep”, inédita até então na turnê, apareceu no segundo show do México, o que pode prometer surpresas para o repertório brasileiro. Em compensação, canções novas como “Weird Fishes/Arpeggi”, “Bodysnatchers”, “All I Need”, “Reckoner”, “Nude”, “Videotape” e “15 Step” foram tocadas todas as noites. E apenas duas canções por show são de Ok Computer.

(Sobre o show em Berlim, em agosto de 2008) A rotina segue: o jogo de luzes (barras de tungstênio penduradas no teto) toma sua posição, fileira por fileira, até cobrir toda a extensão do palco. Uma melodia minimalista começa a tocar enquanto os ajustes finais são dados e a banda toma seu lugar. O telão (no fundo e nas laterais), na verdade, são diversas telinhas que focam cada integrante (tal qual o clipe de “Jigsaw Falling Into Place”). “Weird Fishes/Arpeggi” abriu o show do Werchter, mas em Berlim eles preferem começar com “15 Step”, que serviu como abertura em mais de metade das apresentações da turnê. Em seguida é hora de testar os batimentos cardíacos dos fãs com uma faixa de Ok Computer (“Airbag”, “Lucky”, “Karma Police”, “Climbing Up The Walls” ou “Exit Music (for a film)”).

Junto com diversas possíveis faixas de In Rainbows, uma de Kid A (a sensacional “National Anthem”) e duas de Hail To The Thief marcam presença (quase certa) na primeira parte do show: a excelente “There There” e a sonolenta “The Gloaming”. No decorrer o grupo não facilita e dá-lhe b-sides como “Bangers and Mash” e “Talk Show Host”. As canções de The Bends começam a dar as caras no miolo do set list: na Bélgica foi “Just”, e em Berlim, um presente especial: “Nós tocamos aqui em 11 de setembro de 2001. Espero que vocês lembrem essa canção. É para vocês”. O riff marcante de “My Iron Lung” preenche o ambiente.

A parte final da noite traz faixas de Kid A, Amnesiac e Hail To The Thief como “Optimistic”, “Where I End and You Begin”, “Dollars & Cents”, “How To Disappear Completely”, “Pyramid Song” e um dos grandes momentos do Radiohead (e de Thom Yorke) no palco: “Idioteque”. Chegamos ao bis e “Everything In It’s Right Place”, em versão house, ou abre ou fecha. “You And Whose Army?” também costuma aparecer – e jogar um balde de água fria na audiência. Sem problema, pois “Paranoid Android” aparece para reerguer o ânimo em uma versão irretocável. “Planet Telex”, “The Bends”, a inédita “Supercollider” e “2+2=5″ costumam aparecer também.

A rigor, o set list do Radiohead é fechado em 22 canções incluindo um bis. Nas duas datas do México, por exemplo, foram 25 canções em dois bis – se a banda e o público estiverem animados podem rolar até três. O repertório é dividido assim: de oito a dez canções de In Rainbows, uma de The Bends (pode até serem duas) três de Ok Computer (nunca quatro, mas quem sabe) e mais um ou dois b-sides. E todo o resto da tríade Kid A, Amnesiac e Hail To The Thief.  O show tem momentos mágicos, mas pode muito bem trazer bocejos a quem não é muito familiar ao som do quinteto – e cansa um pouco até aqueles que conhecem as faixas mais obscuras. É uma apresentação que costuma demorar a engatar, mas nada como uma “No Surprises” para derreter corações de gelo.”

(Editado de artigo do IG de Marcelo Costa. Confira o original na íntegra aqui)

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