Lust for life

Publicado em 16 de February de 2009

Não posso falar pelos fãs do cara (obviamente, a expectativa de um fã é bem diferente de alguém que está ali só à espera de um bom show), mas pra mim o show do Peter Murphy em São Paulo foi um belo show, surpreendente até, e certamente é uma pena que o Via Funchal estivesse tão vazio (pelo que vi, não chegava a um terço da capacidade). O que confirma ainda que o show talvez estivesse melhor alocado em um clubinho qualquer, com paredes cobertas de cortina de veludo, fumaça de cigarro e cervejas Guiness à venda.

Com certeza essa atmosfera combinaria melhor com o clima que Peter Murphy cria no palco. Sem fugir da estética gótica-oitentista (muita contra-luz, cores amarelas, verdes e roxas, gestual expressionista), o que ele nos entrega é uma viagem sonora e visual a uma paisagem densa e profunda como sua voz, ainda vibrante apesar dos 51 anos.

Peter Murphy é um cara engraçado. Às vezes ele parece um Mick Jagger careca, às vezes um cantor de cabaré, às vezes até uma caricatura dele mesmo no passado. Mas faz tudo isso com elegância e sofisticação, de forma sedutora e desprendida. O senhor Peter Murphy, a essa altura um homem de meia-idade, parece bastante à vontade no palco.

Quem foi pra ver os clássicos da Bauhaus, deve ter se decepcionado como o rapaz da mesa ao lado na lanchonete que fui logo após o show. Além de poucas, as músicas muitas vezes foram “reinterpretadas” e mixadas em outras, como foi o caso de “Bela Lugosi’s Dead”, em uma versão acústica e misturada com “A strange kind of love”. No final do show (acredito que respondendo a pedidos), Peter soltou um sonoro e algo irritado “Bela Lugosi’s dead!”, como quem diz, não só morto, mas enterrado.

Mas é nas músicas próprias que ele mostra que sua carreira agora ruma para elementos mais pop, menos densos, mais… felizes. E também nas covers. Apesar da bela e sofrida “Hurt”, do Nine Inch Nails, que ele canta de cima de uma escada, é sintomático que uma das últimas músicas escolhidas por ele seja “Lust for life”, do Iggy Pop, música solar, empolgante, enérgica. O senhor Peter Murphy parece querer enterrar de vez o passado gótico, e se entregar definitivamente à luxúria da vida.

O set-list parcial e não necessariamente na ordem do show foi o seguinte (aceito contribuições): Burning From The Inside / The Line Between the Devil’s Teeth / Disappearing / Gliding Like a Whale / Hurt / Cuts You Up / She’s In Parties / Transmission / A Strange King of Love + Bela Lugosi’s Dead / Lust For Life.

Para ler artigo do Uol sobre o show clique aqui.

Leia também:

  1. Peter Murphy no sábado
  2. Peter Murphy fala sobre primeira vinda ao Brasil

Comments

  1. Posted by Alexandre on 16 de February de 2009, 9:04 am [Reply]

    Foi uma noite memorável ! As decepções :

    - Uma casa vazia (ingressos caros ?);
    - Indigo Eyes ficou de fora.

    Mas, mesmo ali do mezanino, me emocionei ao ver um ídolo que tenho a mais de 20 anos.

    Que venha a nova turnee e que venha Bauhaus.

    • Posted by zeroberto1974 on 16 de February de 2009, 10:06 pm [Reply]

      Alexandre – realmente acho q a casa vazia tem muito a ver com o preço do ingresso sim. mas também acho q a desinformação deu o tom na imprensa antes do show… pouco se falou sobre a carreira do Peter Murphy solo, como se fosse ser um show só pra quem era gótico nos 80. Quem sabe as coisas vão ser diferentes qdo ele vier com o disco novo…

  2. Posted by Birulim on 16 de February de 2009, 11:05 pm [Reply]

    Só eu ouvi “All We Ever Wanted Was Everything”?

    • Posted by zeroberto1974 on 17 de February de 2009, 1:17 am [Reply]

      Birulim – você tem razão, não me lembro o momento mas rolou sim, com direito a coro e tudo… alguém filmou e colocou no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=9sMh6J2FqPE.
      Valeu

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