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Camera Obscura

Resenha do primeiro show em SP

 
Coachella: Terceiro dia
 

Coachella 2010

terceiro dia

 
Postcards from Coachella
 

Coachella 2010

Primeiro e segundo dias

 

O caldeirão do Orishas

Quando o show do Orishas começou, com quase uma hora de atraso (o que até foi bom, pq chovia pra cacete na cidade e muita gente chegou atrasada), deu até pra ficar com um pouco de medo.  O Orishas vive em uma corda-bamba perigosa, porque a qualquer momento pode virar uma cópia barata de si mesmo, repetindo e repetindo os mesmos maneirismos sem parar. E por um momento foi o que pareceu, pq as faixas que eles escolheram pra começar o show, as duas do álbum novo, são realmente bem fraquinhas (a primeira, que dá título ao disco, é especialmente fraca).

Mas uma coisa interessante sobre o Orishas é  que a banda realmente surpreende ao longo do show. Sempre  no limite do kitsch latino, eles surpreendem com um show vigoroso, energético e extremamente competente. O trompete de Ludovic Louis, pra mim o melhor de todos no palco, enche as músicas de um requinte especial, muito além do que se ouve nos discos. E quando eles chegam a “Bruja”, outra música do disco novo, tocada logo antes de saírem para o bis, você já está entregue, assim como o Via Funchal inteiro.

É interessante essa mistura do Orishas, pq realmente eles muitas vezes passam bem próximo daquele estereótipo do bailarino da salsa de filme americano. Protagonizam algumas cenas desnecessárias, como estender a bandeira de Cuba (nenhum deles mora lá) ou cantar “Guantanamera”, mas todo esse mise-en-scene não deixa de combinar com a proposta do grupo, de dialogar com a tradição cubana e o pop mundial, sem medo de cair de cabeça e parecer um pouco fake. E eles fazem tudo isso com muito vigor, realmente empolgados em estar ali, fazendo música, na frente de uma platéia que jogava totalmente a favor.

O show esquenta, é claro, nas músicas antigas, como “A lo cubano”, “Hay un son”, e outras. Mas nem mesmo as músicas novas, visivelmente inferiores em comparação com as antigas, deixam de empolgar. Principalmente pq a banda não economiza energia, dividindo com a platéia o tempo todo essa vibração de estar no palco. E quando o (longo) show acaba, vc sente que realmente valeu cada centavo.

Acho que bastante representativo do que é e o que quer o Orishas é o clipe da música “Bruja”, que achei a melhor do disco novo. O clipe é uma paródia do filme “Faster Pussycat! Kill! Kill!”, do Russ Meyer, filme B dos anos 60. O clipe mistura o clima kitsch-fetichista do filme com a presença da almodovariana atriz Rosi Palma, ao som do salsa-rap do grupo, aqui bem mais pop. Ou seja: cultura americana, contra-cultura, espanha, almodovar, salsa e um som globalizado. Enfim, esse é o caldeirão do Orishas, que não deixa de ser bem divertido.

Clipe da música “Bruja”:

 

“Bruja” ao vivo em SP:


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